terça-feira, março 28, 2006

Calouro é tudo igual!


Ao transferir-me para uma outra cidade tive que fazê-lo também com a faculdade que estava cursando.
O prédio onde estudava na minha cidade era pequeno e estava habituado com a estrutura.
Estranhei quando vi aquele "mundaréu" de construção que seria a nova moradia do meu saber e de minhas curiosidades.
Fiquei muito empolgado, mas sempre querendo mostrar que estava por dentro de todos os assuntos, inclusive, que já estava me sentindo um nativo naquele mundo totalmente novo e inexplorado.
Para não fazer feio na frente das gurias que transitavam entre os blocos, e não demonstrar que estava mais perdido que bala de tiroteio em favela carioca, fingi estar falando ao celular, enquanto olhava o quadro onde possivelmente estaria a numeração das salas conforme o período que estivesse cursando.
Para meu total desespero, aquele era o primeiro dia de aula, e justamente aquele, um dos 58 quadros de avisos espalhados pelo campi, não continha nenhuma informação a respeito das salas, nem qualquer possível localização.
Disfarçando uma saída meio sem graça, fui atropelado com uma interrogativa frase, vinda de uma "caloura":
Você sabe me dizer onde fica o bloco do 2º período?
Pronto!
Me quebrou as pernas no meio!
Sabichão todo, metido a "tô podendo", hesitei mas confiei no faro de localização masculino, soltei um, vai direto e dobre a esquerda, tão confiante que até me animei para procurar sem ajuda de ninguém a minha sala.
Como já havia tocado a campanhia para iniciarem as aulas, tratei de apressar o passo.
Olhando sempre os umbrais das portas, verifiquei que haviam três períodos nas plaquetas, o "sabe-tudo" aqui, logo deduziu que fossem relativo aos turnos, e por tabela comecei a eliminar as salas daquele andar, foi então que resolvi entrar em uma delas, a aula já havia começado.
Pedi licença ao professor, fiz uma busca geral no pessoal em segundos, e logo encontrei alguém que havia visto na academia que estava frequentando.
Acenou pra mim, me chamando para sentar com seu grupo.
Dirigi-me até eles, sentei.
Aquilo mais parecia um velório, e eu, o próprio defunto!
Me senti a própria mosca na sopa!
Tirei um caderno da mochila, puxei uma caneta.
Meio que aliviado por ter encontrado a tão desconhecida sala,
comecei a prestar atenção ao que dizia o professor.
Foi então que algo me chamou a atenção para o lado, aquela guria que há pouco me pediu a informação! Alfinetou apimentadamente meu ego:
- Não sabia que você também fazia o segundo período?
Engolí seco aquela indagação, mas deixei rolar, afinal, aquele era o primeiro dia de aula de um calouro!
O detalhe crucial, eu faria naquele semestre o 5º período.

quinta-feira, março 23, 2006

Truco do intervalo


Um dia desses estava na faculdade quando uns colegas me abordaram perguntando se gostaria de me juntar a eles numa partidade de truco (um jogo de cartas).
Eu lá ia imaginar que truco era um jogo de cartas, pensei imediatamente numa hipótese ignorante a respeito do que seria esse truco:
Um racha?
Uma corrida de caminhonetes tunadas (carros modificados interno e externamente)?
Uma luta com três caras?
Lamentavelmente respondi que sim, mas sem deixar perceber que nada sabia a respeito daquele jogo.
Para meu alívio, posterior pavor e logo salvação total, aquele tal de truco nada mais era do que um "simples" jogo!
Sentamos na mesa da lanchonete na frente do nosso bloco. O intervalo já estava meio avançado.
Um deles, com cara de espertalhão, mas fingindo ser gente boa, começou a embaralhar as cartas.
Para mostrar que dominava bem a lida, passava para lá, para cá, para cima, para baixo, fazia leque, fechava o leque.
Fazendo o tipo: "Eu sou o máximo, mas te dou uma chance!"
Entregou a um outro que olhava fixamente a bunda de uma guria que passava bem ao seu lado, para que este pudesse cortar o bolo (dividir em duas partes).
O terceiro, que faria partner comigo, este sim, jeito sizudo tirando onda de bad boy, "comigo ninguém pode".
Olhou pra mim como quem diz:
Pode deixar, eu me garanto, faço o jogo por nós!
Mas quem disse que eu entendia aqueles códigos e gestos!
De repente começaram a dividir as cartas em três peças para cada jogador.
Aí meu amigo, o desespero já tinha consumido toda a coragem, mas quem disse que eles perceberam que eu tremia nas bases?
Peguei minhas cartas, olhei para o bad boy, aquele que deveria ser meu parceiro de jogo, e ele fazia um gestos estranhos.
Piscava com o olho direito.
Mordia o lábio inferior.
Dava subidinhas com o nariz.
Olha que nessas alturas eu estava quase para perguntar na maior
cara de pau, se ele estava tentando me passar uma cantada!
Subitamente ouvi quando disseram que era a minha vez.
Nem o iceberg que abateu o titanic era tão gelado como a minha
pressão e o meu estado naquela hora.
Tentei calcular meticulosamente em alguns segundos como poderia sair daquela enrascada que havia me metido, e tudo porque queria me introduzir no meio do pessoal, me sentir aceito no grupo.
Ô jeito difícil esse que encontrei!
Quando todas as pretensas hipóteses pareciam ter sido esgotadas eis que surge a luz no fim do túnel.
Bendito seja o criador da campanhia!
Na mesma hora, parecendo ser um milagre, tocou o celular de um dos três, simultaneamente a campanhia do intervalo também avisa:
Te livrei dessa! Mas na próxima, aprende a jogar truco!

quarta-feira, março 22, 2006

Uma estrela a mais no céu!


Os acontecimentos durante a época acadêmica nem sempre são de total descontração e alegria.
Os primeiros períodos são em sua maioria de grandes festas, amores intensos, grandes amizades...
Lembro que ao chegar na faculdade descobri que em sua estrutura existia um departamento que orientava os novos acadêmicos a um estágio, transportes, compra de livros e aluguel de apartamento.
Eles expunham esses anúncios em quadros de avisos espalhados por todos o campis.
Logo que descobri, me dirigi a um deles afim de encontrar um apartamento.
Início de ano letivo, é oferta pra tudo quanto é lado.
De frente para o mar, duplex, triplex, mobiliado, sem mobília, caro, super caro, pechincha, e estava procurando justamente a última opção, pechincha!
Bolso de universitário é pior do que saco rasgado.
Foi lá, vendo um desses anúncios que encontrei o Gustavo, mochila de marca, tênis de marca famosa, óculos da moda, calça transada...Enfim, um perfeito filhinho de papai, busquei logo me afastar porque não faz meu estilo esse tipo de pessoa, nada contra, só não me identificava com o tipo.
Ledo engano foi ter parado naquele quadro. O cara sismou de me perguntar se eu estava procurando apartamento pra alugar, respondi que sim, foi então que ele se animou e disse que já havia visto todos aqueles anúncios, ligado para alguns e visitado alguns deles.
Sem nem ao menos me conhecer direito, mal sabia meu nome perguntou se eu gostaria de dividir um apartamento com ele.
Nunca tinha pensado naquela hipótese, até porque nunca tive a necessidade de dividir com estranhos porque sempre morei na casa de minha família.
Pareceu estranho aquela proposta, várias coisas passaram pela minha mente.
Mas eu respondi que sim, em virtude de minha pouquíssima condição financeira, tive que a contra gosto aceitar a tal proposta.
Fomos então eu e Gustavo naquele mesmo dia, procurar os apartamentos que de antemão já haviamos marcado para visitar.
Foi uma tarde cheia. Eu bem constrangido com toda aquela situação, e o Gustavo, totalmente a vontade, e fui descobrindo o porque logo que começamos a conversar.
Ele vinha do interior do Paraná, já havia morado em curitiba e lá também dividia o apartamento com outros dois colegas de faculdade, que não necessariamente faziam o mesmo curso que ele.
Foi quando decidiu morar em Balneário Camboriú depois de passar um intenso verão por lá, assim como a maioria do pessoal da faculdade.
Naquela tarde fechamos com uma senhora um negócio da china.
Apartamento de frente para o mar, três quartos, duas salas, cozinha, área de serviço, dois banheiros, sacada com churrasqueira, salão de festas, garagem privativa e tudo mais que tivesse direito.
Mas o melhor de tudo isso foi o preço, uma pechincha, do tipo universitário que conta com um salário mínimo para passar todo o mês!
A condição para mudarmos era esperar uma semana até a senhora dona do apartamento, terminar a reforma e mobiliá-lo.
Foi a semana mais demorada, mas até que foi boa.
Foi nesta semana que passei a conhecer mais o Gustavo. O cara era muito inteligente, fazia engenharia civil, era sempre o centro das atenções, tinha um carisma insuperável, tinha convite vip para as melhores festas, tinha seu próprio carro!
O cara era perfeito demais, dava medo de ficar perto dele.
Mas sempre na dele, jeitão humilde, meio brejeiro, típico de algumas pessoas do interior. Em menos de uma semana, o cara já era meu amigo, até tínhamos combinado para sair no final de semana.
Foi quando ele decidiu cancelar a balada e aproveitar o feriado prolongado para visitar seus pais no paraná.
Nunca cheguei a mudar para aquele apartamento.
O Gustavo se envolveu em um acidente na rodovia, seu carro pegou fogo, e dentro dele, foram os sonhos de uma das pessoas mais incríveis, bom caráter, verdadeira, intensa, transparente, alegre, sonhadora, guerreira e humana que já conhecí...

terça-feira, março 21, 2006

A carona, os surfistas e a blitz


Vida de universitário não é nada fácil!
E falo de forma generalisada, não pense que pelo fato de estudar em uma faculdade particular passe imune a muitas dificuldades que todos nesta fase passam.
Principalmente quem tem que pagar sozinho a faculdade, aluguel de apartamento, água, luz, supermercado, transporte e sem contar com as extras, lavanderia, remédio, etc.
É eu sei bem o que é dançar conforme a música:
Um mês tu atrasa a luz pra pagar a água, noutro tu atrasa a faculdade pra pagar o aluguel.
Esse tira daqui, para cobrir ali, nem sempre dá certo, ou as vezes como aconteceu comigo, nunca deu!
Aconteceu que nessa de tapar um buraco acabei descobrindo outro, que logo encontrei uma solução bem cara-de-pau, mas no próprio estilo universitário.
Existe um lugar perto da minha faculdade, bem no cruzamento de duas grandes avenidas que é ponto batido e muito frequentado pelos conhecidos "caroneiros".
Eu inexperiente no ramo, fui tentar numa dessas descolar uma carona, sem muita expectativa. Deu certo.
Passado algum tempo fazendo esta mesma atividade, uns três meses, resolvi alçar vôos mais audaciosos, e ao invés de só voltar da faculdade, resolvi ir também de carona.
Numa dessas minhas como digo sempre, mirabolantes aventuras, entrei em uma grande enrascada mas com desfecho hilário.
Saindo da faculdade...Parati cinza, era o carro, elevei aquele dedão de praxe, três caras estavam dentro, surfistas, estavam indo pra balneário, nesse dia o mar estava perfeito, ondas de 1M ("metrão"). Sol, um dia lindo, o que não é difícil acontecer em balneário!
Acontece que na metade do caminho eles resolveram passar na casa de uma "prima", me perguntaram se teria algum problema, e eu bobo, sem saber de nada, respondi que sim.
Fomos parar numa boca de fumo, não faço a mínima idéia de onde fique o lugar, caso me perguntem, demos tantas voltas. Bom enfim,
os caras pegaram a erva, e dentro do carro, fizeram o baseado, ali, bem na minha frente.
Eu que nunca tinha visto aquela cena, muito menos a erva, estranhei toda aquela atividade, mas nem questionei, afinal, eu era o elemento estranho naquele meio.
Os caras puxaram tudo o que podia. E quando estávamos chegando na entrada de Balneário, eles avistaram uma blitz da "polícia federal", "vixi"!
Aí neguín nessa hora só não borrou as calças porque não queria fazer feio na frente dos outros. Eu? Capaz! Estava com a consciência limpinha, os outros é que estavam nessa situação!
Os caras trataram de abrir todas as janelas, pararam no acostamento pra ver
se o ar ficava assim, vamos dizer, menos rarefeito dentro do carro.
Ficamos parados uns 15 minutos, daí eles criaram coragem e seguiram.
A medida em que chegávamos perto da tal blitz, eles pensavam em dar uma desculpa que não fosse tão esfarrapada, um outro chegou a pensar em passar em alta velocidade e não parar, que idiota!
Pronto estávamos de frente com o "inimigo", para o alívio dos caras a blitz que antes era da polícia federal, não passava de um simples pedágio para uma campanha contra o câncer de mama!
Confesso que também fiquei apreensivo com toda a história, afinal se fôssemos realmente parados, até eu fazê-los acreditar que fossinho de porco não é tomada, levaria um bom tempo.
Chegamos em balneário, e toda aquela praia, aquele mar bem verdinho, fizeram-nos esquecer toda aquela aflição de 5 minutos atrás.
E eu continuei meu caminho até meu apartamento.
No outro dia, estava batendo o cartão no ponto da carona...

sábado, março 18, 2006

Profissão: Universitário!


Ninguém consegue me fazer entender
porque existe tanta cobrança aos jovens
que chegam na época de escolher uma carreira universitária?
Se atentarmos para as sociedades anteriores com suas profissões e acúmulo de informações
e responsabilidades, vamos notar que sempre foi assim!
Atenção: O mercado de trabalho só é competitivo
na cabeça de quem não prentede trabalhar, porque
assim terá o advento da desculpa da informalidade
ou de não conseguir realizar-se profissionalmente.
Mercado é mercado. Oportunidades surgem a todo instante.
Independente da oferta e da procura.
Assim foi com os médicos de cinco anos atrás.
Semelhante aconteceu com os advogados e imagine com os engenheiros então!
Uma vez me disseram que o ser humano tem até os 60 anos para se tornar um milionário!
Porque depois disto ele só consegue usufruir, e não mais produzir para acumular.
Pensando desta forma, por que então tanta pressão para escolhermos
uma profissão aos 18 anos se temos até os 30 para graduarmos
em qualquer carreira acadêmica que nos faça feliz e realizados?
O quê, vai me dizer que a fila anda? Que quem fica parado é ultrapassado?
Entenda uma coisa, a constituição fisiológica de um ser humano diz que
ele está amadurecido após os 25 anos, depois disto é acumulo de informação.
Psicologicamente o ser humano atinge seu ápice de desenvolvimento das faculdades
mentais a partir dos 27 anos. Então quer dizer que sou um inconsequente até os 26?
Não!
Nós adquirimos uma consciência de responsabilidade a partir desta idade.
Mas não quer dizer que não possuímos senso crítico das coisas. E esse discernimento
é nato, você desenvolve logo nos primeiros anos de vida, o saber quando é certo e
errado, quando começar e quando parar.
Mas esse contrato ou termo de responsabilidade que se adquire quando se é cobrado
a admitir-se em uma faculdade, não deveria ser uma condição natural, ou seja, tratar com
normalidade a cobrança para cursar uma faculdade e tão jovem e inexperiente, ser lançado
no temível mundo dos leões do "mercado competitivo de trabalho"!
Já avançamos e muito pelos direitos de escolhermos nosso próprio caminho profissional.
Se me recordo, antes aos filhos cabia substituir aos pais em seus escritórios ou
consultórios, e ainda o pior, serem obrigados a cursar a faculdade que os pais não tiveram condições de cursar!
Gostaria que ficasse bem claro, não estou defendendo a ociosidade.
Porque assim como as regras, com os seres humanos também acontecem excessões.
Existem aqueles que sentem-se maduros suficientes para ingressar aos 17, 18 anos em uma
universidade, mas muitos desses estão na mesma situação que descrevi.
Pais, infelizmente ainda não foi criado um manual para lidar com as emoções e com as
atitudes dos filhos adolescentes e jovens.
Que hironia essa não!? Até parece que nossos pais não foram adolescentes e jovens!
O pior é que parece que eles esqueceram, mas talvez seja natural no mundo dos homens.
Conforme se cresce, as responsabilidades vão tomando os lugares antes ocupados por
sensações, comportamentos, palavras ditas, atitudes tomadas enquanto se era jovem.
Fazendo desta forma um perfeito soldado do cotidiano: insensível, corrupto e rotineiro!
Mal se dá conta que as mesmas indagações de sua juventude, estão na cabeça de seus filhos.
Assim como nossos pais, buscamos ser felizes e uma vida realizada.
Mas que uma coisa fique clara de uma vez por todas:
Compreensão é bem melhor do que com pressão!

terça-feira, março 14, 2006

Pequenos Devassos!

Lembro que durante a época da faculdade
tínhamos inúmeras oportunidades de realizar
trabalhos voluntários, e isso com o advento
de abater a carga horária do estágio
supervisionado obrigatório para conclusão do curso.
A universidade naquele tempo mantinha convênio
com uns 120 projetos sociais. Tinha de todo
o tipo e pra todo o gosto e todos os horários.
Desculpa só muito esfarrapada para dizer
que não teve oportunidade de participar de
um ou outro, e olha que o pessoal era expert nisso.
Eu acabei por me envolver em três desse montante
de projetos.
Em um deles eu teria que ajudar uma professora
a explicar para as crianças de 3º a 6º série
temas relacionados à iniciação sexual e sobre a puberdade.
Uma das muitas experiências hilárias e muito traumáticas
da minha carreira acadêmica.
Meu primeiro dia na classe foi até tranquilo. Fui
apresentado para aqueles personagens bizarros com
cara de anjo. Um bando de ninfomaníacos mirins!
A professora tentava explicar sobre amadurecimento de
óvulos e espermatozóides, e eles queriam saber o que
vinha a ser kamassutra!
Meu Deus o mundo estará perdido se esses pequenos
aprendizes de práticas sexuais vierem a crescer.
Fiquei calado uma certa parte da aula só observando, e em
outra tentei acrescentar àquilo que dizia a professora,
tentando amenizar de forma descontraída.
A professora então passou a explicar sobre pêlos pubianos,
e eles queriam saber o que era coito interrompido.
Estava tão apavarado com aquela situação que não
conseguia me mexer, fiquei sentado os 45 minutos
"eternos" de aula, e dali dirigia minhas contidas palavras e sorrisos.
Fim de aula. Saí dali com a certeza que nunca mais voltaria
àquele lugar, nem a ver aqueles avançadinhos.
Surpresa e espanto juntos, fui convidado pessoalmente
pela diretora da escola, que dirigiu uma carta ao
departamento da faculdade, elogiando minha muda
participação na aula e pedindo que eu retornasse na
próxima semana.
Hesitei um pouco de fato, mas um pedido daquele conta
muito para o currículo e principalmente para a carga
horária do estágio, motivo principal de ter me enfiado nessa.
Cheguei na escola fui direcionado pela supervisora ao
auditório, e um dos momentos mais constrangedores da minha
vida começou no exato minuto em que eu pisei naquele degrau.
150! Cento e cinquenta! Exatas cento e cinquenta "crianças"
estavam naquele dia no auditório. Mas para mim, pareciam
1.500 espertinhos querendo saber sobre práticas sexuais.
A professora da semana anterior havia ficado doente, e a
diretora então teve a brilhante idéia de colocar as classes
juntas e aproveitou que no dia seguinte seria feriado, para aprenderem
sobre sexualidade no auditório.
A Segunda Guerra Mundial foi mamão com açúcar na frente do bombardeio
de perguntas, das mais cabeludas, que surgiram daquelas mentes tão
pequenas e inocentes!
Me sentia em um verdadeiro paredão de fuzilamento.
Mesmo assim, conseguia tirar de letra, sem ofender, sem escrachar, e de
forma bem divertida todos os questionamentos.
Mas a bomba de hirochima estava por vir, foi então que ela levantou,
loirinha, cabelinho encaracolado parecia um anjinho! Mas que logo
tratou de mostrar as garrinhas e assim perguntou:
Professor, o senhor se masturba? é igual a transar?
E tinha só 10 anos esta intitulada "criança".
A diretora ficou tão constrangida que pediu rapidamente à zeladora
que tocasse a campanhia para dar encerrada aquela sessão de tortura.
Nunca mais voltei àquela escola, e a nenhuma outra.
Preferi cumprir minhas horas de estágio em uma empresa aplicando o
que havia aprendido de fato na faculdade que cursava:
Direito!