Calouro é tudo igual!

Ao transferir-me para uma outra cidade tive que fazê-lo também com a faculdade que estava cursando.
O prédio onde estudava na minha cidade era pequeno e estava habituado com a estrutura.
Estranhei quando vi aquele "mundaréu" de construção que seria a nova moradia do meu saber e de minhas curiosidades.
Fiquei muito empolgado, mas sempre querendo mostrar que estava por dentro de todos os assuntos, inclusive, que já estava me sentindo um nativo naquele mundo totalmente novo e inexplorado.
Para não fazer feio na frente das gurias que transitavam entre os blocos, e não demonstrar que estava mais perdido que bala de tiroteio em favela carioca, fingi estar falando ao celular, enquanto olhava o quadro onde possivelmente estaria a numeração das salas conforme o período que estivesse cursando.
Para meu total desespero, aquele era o primeiro dia de aula, e justamente aquele, um dos 58 quadros de avisos espalhados pelo campi, não continha nenhuma informação a respeito das salas, nem qualquer possível localização.
Disfarçando uma saída meio sem graça, fui atropelado com uma interrogativa frase, vinda de uma "caloura":
Você sabe me dizer onde fica o bloco do 2º período?
Pronto!
Me quebrou as pernas no meio!
Sabichão todo, metido a "tô podendo", hesitei mas confiei no faro de localização masculino, soltei um, vai direto e dobre a esquerda, tão confiante que até me animei para procurar sem ajuda de ninguém a minha sala.
Como já havia tocado a campanhia para iniciarem as aulas, tratei de apressar o passo.
Olhando sempre os umbrais das portas, verifiquei que haviam três períodos nas plaquetas, o "sabe-tudo" aqui, logo deduziu que fossem relativo aos turnos, e por tabela comecei a eliminar as salas daquele andar, foi então que resolvi entrar em uma delas, a aula já havia começado.
Pedi licença ao professor, fiz uma busca geral no pessoal em segundos, e logo encontrei alguém que havia visto na academia que estava frequentando.
Acenou pra mim, me chamando para sentar com seu grupo.
Dirigi-me até eles, sentei.
Aquilo mais parecia um velório, e eu, o próprio defunto!
Me senti a própria mosca na sopa!
Tirei um caderno da mochila, puxei uma caneta.
Meio que aliviado por ter encontrado a tão desconhecida sala,
comecei a prestar atenção ao que dizia o professor.
Foi então que algo me chamou a atenção para o lado, aquela guria que há pouco me pediu a informação! Alfinetou apimentadamente meu ego:
- Não sabia que você também fazia o segundo período?
Engolí seco aquela indagação, mas deixei rolar, afinal, aquele era o primeiro dia de aula de um calouro!
O detalhe crucial, eu faria naquele semestre o 5º período.





