Uma estrela a mais no céu!

Os acontecimentos durante a época acadêmica nem sempre são de total descontração e alegria.
Os primeiros períodos são em sua maioria de grandes festas, amores intensos, grandes amizades...
Lembro que ao chegar na faculdade descobri que em sua estrutura existia um departamento que orientava os novos acadêmicos a um estágio, transportes, compra de livros e aluguel de apartamento.
Eles expunham esses anúncios em quadros de avisos espalhados por todos o campis.
Logo que descobri, me dirigi a um deles afim de encontrar um apartamento.
Início de ano letivo, é oferta pra tudo quanto é lado.
De frente para o mar, duplex, triplex, mobiliado, sem mobília, caro, super caro, pechincha, e estava procurando justamente a última opção, pechincha!
Bolso de universitário é pior do que saco rasgado.
Foi lá, vendo um desses anúncios que encontrei o Gustavo, mochila de marca, tênis de marca famosa, óculos da moda, calça transada...Enfim, um perfeito filhinho de papai, busquei logo me afastar porque não faz meu estilo esse tipo de pessoa, nada contra, só não me identificava com o tipo.
Ledo engano foi ter parado naquele quadro. O cara sismou de me perguntar se eu estava procurando apartamento pra alugar, respondi que sim, foi então que ele se animou e disse que já havia visto todos aqueles anúncios, ligado para alguns e visitado alguns deles.
Sem nem ao menos me conhecer direito, mal sabia meu nome perguntou se eu gostaria de dividir um apartamento com ele.
Nunca tinha pensado naquela hipótese, até porque nunca tive a necessidade de dividir com estranhos porque sempre morei na casa de minha família.
Pareceu estranho aquela proposta, várias coisas passaram pela minha mente.
Mas eu respondi que sim, em virtude de minha pouquíssima condição financeira, tive que a contra gosto aceitar a tal proposta.
Fomos então eu e Gustavo naquele mesmo dia, procurar os apartamentos que de antemão já haviamos marcado para visitar.
Foi uma tarde cheia. Eu bem constrangido com toda aquela situação, e o Gustavo, totalmente a vontade, e fui descobrindo o porque logo que começamos a conversar.
Ele vinha do interior do Paraná, já havia morado em curitiba e lá também dividia o apartamento com outros dois colegas de faculdade, que não necessariamente faziam o mesmo curso que ele.
Foi quando decidiu morar em Balneário Camboriú depois de passar um intenso verão por lá, assim como a maioria do pessoal da faculdade.
Naquela tarde fechamos com uma senhora um negócio da china.
Apartamento de frente para o mar, três quartos, duas salas, cozinha, área de serviço, dois banheiros, sacada com churrasqueira, salão de festas, garagem privativa e tudo mais que tivesse direito.
Mas o melhor de tudo isso foi o preço, uma pechincha, do tipo universitário que conta com um salário mínimo para passar todo o mês!
A condição para mudarmos era esperar uma semana até a senhora dona do apartamento, terminar a reforma e mobiliá-lo.
Foi a semana mais demorada, mas até que foi boa.
Foi nesta semana que passei a conhecer mais o Gustavo. O cara era muito inteligente, fazia engenharia civil, era sempre o centro das atenções, tinha um carisma insuperável, tinha convite vip para as melhores festas, tinha seu próprio carro!
O cara era perfeito demais, dava medo de ficar perto dele.
Mas sempre na dele, jeitão humilde, meio brejeiro, típico de algumas pessoas do interior. Em menos de uma semana, o cara já era meu amigo, até tínhamos combinado para sair no final de semana.
Foi quando ele decidiu cancelar a balada e aproveitar o feriado prolongado para visitar seus pais no paraná.
Nunca cheguei a mudar para aquele apartamento.
O Gustavo se envolveu em um acidente na rodovia, seu carro pegou fogo, e dentro dele, foram os sonhos de uma das pessoas mais incríveis, bom caráter, verdadeira, intensa, transparente, alegre, sonhadora, guerreira e humana que já conhecí...


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