A carona, os surfistas e a blitz

Vida de universitário não é nada fácil!
E falo de forma generalisada, não pense que pelo fato de estudar em uma faculdade particular passe imune a muitas dificuldades que todos nesta fase passam.
Principalmente quem tem que pagar sozinho a faculdade, aluguel de apartamento, água, luz, supermercado, transporte e sem contar com as extras, lavanderia, remédio, etc.
É eu sei bem o que é dançar conforme a música:
Um mês tu atrasa a luz pra pagar a água, noutro tu atrasa a faculdade pra pagar o aluguel.
Esse tira daqui, para cobrir ali, nem sempre dá certo, ou as vezes como aconteceu comigo, nunca deu!
Aconteceu que nessa de tapar um buraco acabei descobrindo outro, que logo encontrei uma solução bem cara-de-pau, mas no próprio estilo universitário.
Existe um lugar perto da minha faculdade, bem no cruzamento de duas grandes avenidas que é ponto batido e muito frequentado pelos conhecidos "caroneiros".
Eu inexperiente no ramo, fui tentar numa dessas descolar uma carona, sem muita expectativa. Deu certo.
Passado algum tempo fazendo esta mesma atividade, uns três meses, resolvi alçar vôos mais audaciosos, e ao invés de só voltar da faculdade, resolvi ir também de carona.
Numa dessas minhas como digo sempre, mirabolantes aventuras, entrei em uma grande enrascada mas com desfecho hilário.
Saindo da faculdade...Parati cinza, era o carro, elevei aquele dedão de praxe, três caras estavam dentro, surfistas, estavam indo pra balneário, nesse dia o mar estava perfeito, ondas de 1M ("metrão"). Sol, um dia lindo, o que não é difícil acontecer em balneário!
Acontece que na metade do caminho eles resolveram passar na casa de uma "prima", me perguntaram se teria algum problema, e eu bobo, sem saber de nada, respondi que sim.
Fomos parar numa boca de fumo, não faço a mínima idéia de onde fique o lugar, caso me perguntem, demos tantas voltas. Bom enfim,
os caras pegaram a erva, e dentro do carro, fizeram o baseado, ali, bem na minha frente.
Eu que nunca tinha visto aquela cena, muito menos a erva, estranhei toda aquela atividade, mas nem questionei, afinal, eu era o elemento estranho naquele meio.
Os caras puxaram tudo o que podia. E quando estávamos chegando na entrada de Balneário, eles avistaram uma blitz da "polícia federal", "vixi"!
Aí neguín nessa hora só não borrou as calças porque não queria fazer feio na frente dos outros. Eu? Capaz! Estava com a consciência limpinha, os outros é que estavam nessa situação!
Os caras trataram de abrir todas as janelas, pararam no acostamento pra ver
se o ar ficava assim, vamos dizer, menos rarefeito dentro do carro.
Ficamos parados uns 15 minutos, daí eles criaram coragem e seguiram.
A medida em que chegávamos perto da tal blitz, eles pensavam em dar uma desculpa que não fosse tão esfarrapada, um outro chegou a pensar em passar em alta velocidade e não parar, que idiota!
Pronto estávamos de frente com o "inimigo", para o alívio dos caras a blitz que antes era da polícia federal, não passava de um simples pedágio para uma campanha contra o câncer de mama!
Confesso que também fiquei apreensivo com toda a história, afinal se fôssemos realmente parados, até eu fazê-los acreditar que fossinho de porco não é tomada, levaria um bom tempo.
Chegamos em balneário, e toda aquela praia, aquele mar bem verdinho, fizeram-nos esquecer toda aquela aflição de 5 minutos atrás.
E eu continuei meu caminho até meu apartamento.
No outro dia, estava batendo o cartão no ponto da carona...


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